domingo, outubro 08, 2006
Pé na estrada
Fui votar, como muitos outros que vi ou com quem conversei, com uma espécie de melancolia. Espécie não, melancolia mesmo. O dia que fazia aqui contribuía, uma chuvinha miúda e fria que parecia infiltrar-se nos ossos, o sol escondido, os galhos das árvores pendentes e tristonhos, nem um passarinho piando, as calçadas úmidas e escorregadias, as ruas penumbrosas e mudas, as pessoas encolhidas e enroladas em abrigos. Cheguei lá, mostrei meu título, fui para trás da 'cabine', peguei minha listinha e, com a sensação que tinha na infância quando me julgava vítima de injustiça, apertei os botões, vi as caras, confirmei, acabei. Seja o que Deus quiser, pensei, como também imagino que outros pensaram.
Infeliz estava, infeliz fiquei, se bem que ainda agradecendo à Providência podermos votar. Bem ao contrário do que se parece acreditar, votar não é sinônimo de democracia, até porque não acredito que a nossa seja das mais autênticas e, pelo contrário, me parece bastante safadinha e sonsa. Mas é alguma coisa. E nosso Congresso, nesta legislatura que agora se finda sem deixar saudade alguma, foi definido por muitos, inclusive parlamentares também, como o mais abominável de nossa História, mas continua verdade inescapável que ruim com ele, pior sem ele. Claro, já é tão viciado que talvez nunca venha a ser o que deveria ser, mas podemos ter sempre a esperança de que no futuro, atravesse alguns acessos de vergonha e conserte um pouco seus incontáveis defeitos de funcionamento.
Mas estava infeliz da mesma forma que o ambiente não parecia feliz. Que tinha feito eu? Tinha votado, claro, tinha dado meu sagrado (e último até a próxima eleição, porque, como sabemos, doravante não seremos nem ouvidos nem cheirados, não só para o que decidirem em nosso nome como para o que roubarem nosso e assim por diante) palpite sobre nosso destino coletivo nos próximos anos. Mas era o palpite que eu queria dar?
Não, não era, faltavam escolhas. E, em rigor, o eleitor não pode queixar-se simplesmente porque faltam escolhas. É bem comum que o candidato escolhido não seja o nosso ideal, mas o que esteja menos distante dele e isso é natural, não se faz uma eleição ao gosto de cada um. Só que, desta feita, achei que faltavam escolhas não só para mim mas para muita gente, talvez, quem sabe, a maioria. Poucas pessoas, muito poucas mesmo - na verdade, não me lembro de nenhuma agora - tinham o ar satisfeito de quem acabou de fazer o que tinha vontade, o que lhe contentava. A maior parte entrava e saía como quem cumpria uma rápida tarefa levemente incomodativa, que foi como eu acho que muitos de nós viram as eleições até agora.
Até porque sabemos mais ou menos o que vai acontecer daqui a pouco. O sistema de dois turnos (prometo que não vou tentar dar aula de ciência política, era só o que faltava para completar o seu domingo) foi em grande parte criado com a consciência de que promoveria uma aproximação de quase todos os partidos em torno do centro, ou o que lá seja isso hoje em dia. Em outras palavras, os concorrentes mais fortes ao poder procuram não radicalizar em demasia, porque, no segundo turno, podem precisar de eleitores que, se eles tivessem posições muito extremadas, jamais votariam neles. O que quer dizer que, em muitos mais casos do que a gente lembra, os candidatos têm propostas parecidas, embora freqüentemente fantasiadas até de seu oposto.
O jogo já começou, aliás. De repente, o PT não expulsou mais a senadora Heloísa Helena ou, se expulsou, está arrependido e era de brincadeirinha, ela não gostaria de uns dois ministérios no futuro Gabinete? Por outro lado, é bem fato, ou pelo menos li nos jornais, que o presidente demitiu o doutor Cristovam Buarque por telefone, método considerado não dos mais deferentes porque até um chefe dos boys, se tinha que demitir um, chamava o infeliz para uma conversinha particular, embora, pensando bem, com ministro de Lula possa ser diferente. De qualquer forma, ele agora sempre amou o dr. Cristovam com a mais pura das afeições fraternais e o que pretende o diletíssimo Cristovam fazer com seus preciosos votinhos?
E por aí irá, como já sabemos. O dr. Geraldo, por exemplo, não vai poder ver um nordestino sem lançar-se em seus braços entoando Asa Branca, vai prometer puxar quadrilha em Mossoró e pulará em cima de um trio elétrico em Salvador, no próximo carnaval. É isso mesmo, sabemos todos, faz parte. E as semelhanças às vezes se denunciam nos detalhes. Por exemplo, ambos, depois de anunciado o segundo turno, falaram em 'pôr o pé na estrada'. Saúdo-os pela nota otimista, já que, como todo mundo sabe, quase não tem estrada nenhuma, só tem buraco e assaltante. E, valha-nos Deus, espero que não se trate de um aviso para a gente se mandar enquanto é tempo.
João Ubaldo Ribeiro
O grande tour de Hugo Chávez
As pretensões geopolíticas do presidente Hugo Chávez o levam para muito longe da Venezuela. Ele deixa de cuidar dos problemas de seu próprio povo enquanto percorre o mundo. Promete bilhões de dólares a potenciais aliados. Compra armas e procura aparecer como astro em vários palcos. Não deixa passar nenhuma oportunidade de insultar o presidente George W. Bush, um alvo fácil que ele já chamou de 'monstro imperialista', 'imbecil' e 'Sr. Perigo', enquanto lança avisos a seus seguidores sobre uma invasão iminente da Venezuela pelos Estados Unidos. Os ataques de Chávez a Bush parecem ser o tema mais importante de sua campanha para a reeleição em dezembro.
Aos risos e aplausos na Assembléia-Geral da ONU, Chávez chamou Bush de 'o diabo' que 'veio aqui ontem', apontando a tribuna - que, dizia, 'ainda tem cheiro de enxofre'. O Wall Street Journal observou que o discurso de Chávez 'marcou o ponto alto teatral para uma reunião anual da ONU onde o anti-americanismo aberto não só voltou a ser moda, como também muito apreciado pela platéia'. No entanto, parece provável que nem Venezuela nem Guatemala (apoiada pelos EUA) ganhará a eleição para membro não-permanente do Conselho de Segurança na primeira votação na Assembléia-Geral para representar a América Latina, abrindo o caminho para um terceiro candidato, possivelmente Chile ou Republica Dominicana.
Chávez é uma figura cada vez mais isolada na América Latina, apesar de seu talento para aparecer na mídia e de presentear com petróleo e dinheiro os aliados potenciais em outros países. Em eleições recentes, as populações do Chile, Peru, Colômbia, México e Brasil reafirmaram sua vocação pela estabilidade democrática como base do progresso, com isso refutando a alegação de muitos comentaristas de que uma onda de populismo esquerdista estaria se espalhando pela América Latina. No Peru e no México, o endosso de Chávez a seus candidatos preferidos contribuiu para a derrota deles. Com a notícia da doença de Fidel Castro, tudo indica que o isolamento de Chávez aumentará, se forem verdadeiras as informações de que suas relações são tensas com o irmão de Fidel Castro, Raúl, o presidente interino de Cuba. Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perder no segundo turno das eleições brasileiras, Chávez vai sentir saudades de um de seus interlocutores mais amenos e maleáveis na América Latina.
Em julho de 2006, para evitar dissensões nas Forças Armadas, Chávez elevou 64 oficiais para a patente de general, antes de embarcar numa viagem mundial de 17 dias a bordo de seu Airbus presidencial, passando pelo Vietnã, Irã, Catar, Mali, Rússia e Bielo-Rússia, confiando que seus assessores cubanos de segurança seriam capazes de controlar as tensões no setor militar. Retornando à Venezuela em 3 de agosto, ele rapidamente anunciou outra viagem, partindo no dia 21 do mesmo mês para a China, Malásia e Angola. Assim, chegou a fazer 23 viagens nos primeiros oito meses de 2006, visitando 31 países em 59 dias fora da Venezuela. O jornal espanhol El País comentou que Chávez estava 'usando a opulência proporcionada a ele pelo preço do petróleo para comprar armas e favores políticos, formar alianças com regimes antidemocráticos e aplaudir a repressão da liberdade'. Alguns dias depois de anunciar seu apoio à candidatura da Venezuela a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao Financial Times: 'Converso muito com o presidente Chávez sobre a necessidade de comportar-se de maneira que não crie problemas para outros países.'
Chávez foi o primeiro presidente latino-americano a visitar a Bielo-Rússia desde a independência desse país, em 1991, com a queda da União Soviética. No aeroporto de Minsk, antes de reunir-se com o último ditador comunista da Europa, Alexander Lukashenko, e de visitar a 'Linha Stalin' de fortificações na fronteira com a Polônia, Chávez propôs uma aliança estratégica, dizendo que 'a Bielo-Rússia está desenvolvendo um modelo de Estado social como o que estamos construindo na Venezuela'.
Embora ele tivesse adiado uma escala proposta em Pyongyang para reunir-se com o ditador Kim Jong-il, a Venezuela defendeu o disparo de sete mísseis no Mar do Japão feito pela Coréia do Norte, conferindo credibilidade aos relatos segundo os quais Chávez estaria negociando a compra de mísseis norte-coreanos. 'Os EUA são o representante maldito do capitalismo', declarou em discurso de duas horas proferido em Hanói, diante da Câmara do Comércio e Indústria do Vietnã. 'O capitalismo levará a humanidade à perdição e destruirá tudo', disse ele, ignorando que há duas décadas o Vietnã comunista vem aderindo a políticas voltadas ao mercado que lhes propicia avanços enormes em crescimento econômico, redução da pobreza e aumento da expectativa de vida. O presidente da Câmara, Vu Tien Loc, ficou perplexo, dizendo: 'O Vietnã está aderindo à economia de mercado, então, nessas circunstâncias, o que ele falou sobre o capitalismo não me parece apropriado.'
Chávez fez uma escala em Londres para um discurso e uma sessão de elogios recíprocos com o prefeito da cidade, Ken Livingstone. Num ato de generosidade singular, Chávez concordou em vender diesel a preços subsidiados para a frota de 8 mil ônibus da capital britânica. A renda per capita da Venezuela é de aproximadamente US$ 6 mil, enquanto a de Londres é de US$ 40 mil. Um memorando interno disse que o governo venezuelano vai ganhar 'cooperação maciça de propaganda' da venda. 'Essa cooperação pode ser colocada dentro e fora dos ônibus. Além disso, o gabinete do prefeito vai desenvolver um plano bem articulado para disseminar a cooperação.'
Chávez fechou vários negócios em Moscou. Ele já tinha encomendado 100 mil fuzis Kalashnikov AK-103 para uso do Exército e de uma milícia de 2 milhões de homens e mulheres que está sendo formada para defender a pátria. Uma firma russa de armas está licenciando à Venezuela a produção de 25 mil fuzis AK-103 por ano, numa fábrica que será construída com ajuda russa e, segundo Chávez, pode ser utilizada para exportar armas a países vizinhos. Seus agentes andam fazendo compras para formar um arsenal sofisticado previsto para custar uns US$ 30 bilhões.
Além dos Kalashnikovs, em Moscou Chávez assinou US$ 3 bilhões em pedidos de 24 caças-bombardeiros Sukhoi (Su-30) e 33 helicópteros blindados de ataque. Ele pretende adquirir entre 10 e 15 submarinos lançadores de mísseis, várias dúzias de tanques de batalha e veículos blindados T-90 e 138 embarcações navais de superfície. O jornal russo Vedomosti noticiou que a Venezuela vai comprar mísseis terra-ar Tor-M1. 'Vamos ter uma barreira de defesa sobre o Caribe', anunciou Chávez.
Essas aquisições de armas deixam os vizinhos da Venezuela receosos. O ex-presidente brasileiro José Sarney avisou sobre o 'desejo declarado de fazer da Venezuela uma potência militar. O Brasil e outros países sul-americanos não podem concordar com nenhuma política de militarização, e, para começar, devem advertir Chávez de que ninguém concorda com isso'.
Em discurso em Moscou em 10 de novembro de 2005, Chávez disse a seus anfitriões: 'Quero render homenagem à União Soviética pelo bem legado à humanidade com o simples fato de sua existência. Estendo a vocês minhas condolências pela maneira como a experiência soviética terminou. Dou-lhes meus parabéns porque um dia tudo isso explodirá e a América Latina será o que a Rússia não pôde ser.'
Chávez criou grupos paramilitares de elite sob seu comando pessoal, independentes das forças de segurança regulares, mas também fala de uma espécie de resistência guerrilheira, da 'guerra assimétrica', para repelir uma invasão americana. Suas compras de armas no exterior buscam compensar o baixo nível de prontidão operacional das Forças Armadas com 100 mil homens, às quais nos últimos anos têm faltado uniformes, botas, capacetes, proteção corporal, suprimentos alimentícios, munição e caminhões. A utilidade de todos os novos equipamentos será posta à prova pelo nível de organização militar. Os caças Sukhoi avançados requerem treinamento intensivo dos pilotos e procedimentos de manutenção sofisticados para que sejam mantidos em prontidão para combate. Os oficiais do Exército regular podem opor resistência à distribuição de fuzis russos para a milícia civil.
GENEROSIDADE
Chávez já prometeu cerca de US$ 35 bilhões em projetos no exterior visando a conquistar influência política, sobretudo na América Latina. A gama de iniciativas é espetacular. Entre elas está a compra de mais de US$ 3,3 bilhões em títulos do governo argentino, além de uma rede de postos de combustível em Buenos Aires. Para consolidar o que Chávez chamou de 'eixo Caracas-Buenos Aires', Venezuela e Argentina pretendem lançar um título binacional, o Bono Sur, por outros US$ 2 bilhões.
Chávez também prometeu comprar US$ 100 milhões em títulos de cada um dos governos da Bolívia, Paraguai e Costa Rica. Autoridades explicaram que a aquisição dos títulos estrangeiros é uma maneira de esterilizar a enorme entrada de petrodólares na economia, para conter a inflação doméstica. Um novo mercado secundário foi criado quando US$ 2,4 bilhões em títulos argentinos foram revendidos pelo governo a bancos venezuelanos, à taxa de câmbio oficial, sendo que os bancos os revendem novamente no mercado internacional pelo câmbio paralelo, o que lhes proporciona um lucro grande e lhes confere acesso mais livre a dólares, sob controle cambial.
Chávez prometeu construir ou modernizar refinarias no Brasil, Cuba, Panamá, Uruguai, Argentina, Equador e Paraguai. A Venezuela oferece petróleo a preços fortemente descontados a várias repúblicas centro-americanas e caribenhas, às vezes em termos de troca, como, por exemplo, a troca de petróleo por bananas de Granada. Estão sendo vendidos ao todo 220 mil barris de petróleo por dia com financiamento fácil no valor de aproximadamente US$ 2 bilhões. Boa parte dessa atividade recente visa a conquistar apoio para a candidatura da Venezuela a uma vaga no Conselho de Segurança das Nações Unidas, à qual os EUA se opõem, mas que conta com o apoio de vários países caribenhos, latino-americanos, africanos e árabes, influenciados pela generosidade de Chávez.
Para realizar esses planos, Chávez criou organizações regionais como a Petrocaribe, o Petrosur, a Telesur (TV por satélite), a Petroandina, o Banco Sur (banco de desenvolvimento) e a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas). Boa parte delas não saiu do papel. Quando a Venezuela uniu-se à Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai no Mercosul, Chávez propôs transformar a organização numa aliança militar e num 'Mega-Estado' com Constituição e moeda únicas.
Chávez é o segundo venezuelano a tentar moldar o futuro da Bolívia. O primeiro foi Simón Bolívar, em cuja homenagem a república recebeu seu nome e cuja 'grande idéia' de uma Constituição boliviana com presidente vitalício foi rejeitada pelas elites locais.
Chávez tornou-se aliado estreito do atual presidente boliviano, Evo Morales, tanto antes quando depois da eleição de Evo por maioria esmagadora, em dezembro de 2005. Cuba, Venezuela e Bolívia assinaram em Havana um 'Tratado Comercial dos Povos' dois dias antes de Evo anunciar a nacionalização do setor petrolífero boliviano, no dia 1º de maio. A Venezuela deve trocar 200 mil barris de diesel por mês por remessas de soja boliviana. Chávez prometeu à Bolívia uma ajuda que vai totalizar US$ 2 bilhões (mais de 20% do PIB boliviano). Médicos e professores cubanos estão trabalhando em projetos de saúde e alfabetização na Bolívia. A Venezuela criou um fundo de US$ 100 milhões para fornecer crédito a pequenos agricultores na Bolívia. Uma companhia binacional, a Minesur, desenvolveria o potencial boliviano de mineração. A PDVSA pagou pela transmissão televisiva das partidas da Copa do Mundo a comunidades rurais e é acusada de também ter pago anúncios de televisão em apoio à campanha de Evo Morales para mudar a Constituição boliviana. A Venezuela vai construir duas bases militares bolivianas na fronteira com o Brasil. Evo Morales viaja pelo mundo num avião a jato que Chávez lhe emprestou. E percorre a Bolívia em dois helicópteros Super Puma que também foram emprestados por Chávez, com medo dos riscos de Evo viajar nos helicópteros do governo boliviano.
Semanas antes de Evo Morales anunciar a nacionalização das empresas estrangeiras que operam a indústria boliviana de gás natural, enviando tropas para ocupar suas instalações, contadores da PDVSA visitaram os escritórios dessas empresas, juntamente com funcionários bolivianos, para averiguar possíveis fraudes. Desde então, cerca de 200 contadores e técnicos da PDVSA vêm ajudando a preparar a pequena estatal boliviana Yacimientos Petroliferos Fiscales de Bolivia (YPFB) para administrar o setor.
Além disso, foram anunciados US$ 1,5 bilhão em projetos de Chávez e Evo para a produção de petroquímicos, fertilizantes e asfalto, e para a separação dos líquidos do gás natural; uma companhia binacional para certificar as reservas bolivianas de petróleo e gás; e a instalação, em toda a Bolívia, de 34 postos de combustível com a marca Petroandina.
Os críticos de Chávez perguntam: como a PDVSA pode arcar com o custo de enviar tantos técnicos para trabalhar na Bolívia, quando ela própria sofre uma escassez grave de técnicos para manter a produção de petróleo em queda em seu próprio país? Essa pergunta foi respondida rapidamente quando, três meses após o decreto de nacionalização baixado por Evo, quase todos os técnicos da PDVSA voltaram para casa depois de o novo governo 'suspender' a tomada das instalações de empresas estrangeiras, por falta de dinheiro e pessoal especializado.
Discursando diante dos chefes de Estado de 53 nações africanas, na Gâmbia, em julho, Chávez exortou à criação de 'uma comissão para articular uma estratégia para petróleo, gás e petroquímica para a África e América Latina. Somos potências energéticas. Coordenemos um projeto, o Petrosur, e em pouco tempo veremos milagres para a independência e o desenvolvimento econômico'. Em sua viagem à África, Chávez reuniu-se por meia hora com o presidente do Mali e ofereceu equipar um hospital na capital do país, Bamako.
Esse tipo de generosidade provoca ressentimento na Venezuela, em vista da deterioração e carência de materiais básicos em seus próprios hospitais, centros de saúde e clínicas. De acordo com sondagens de opinião recentes, entre 63% e 84% dos venezuelanos se opõem às iniciativas de ajuda externa lançadas por Chávez para conquistar liderança geopolítica. Aproximadamente metade acredita que problemas como corrupção, criminalidade, desemprego, inflação e pobreza estão se agravando, enquanto um quarto enxerga melhorias.
Norman Gall no Estadão
quarta-feira, outubro 04, 2006
Palhaçada!!!
O eleitor vai para as urnas pensando que Lula é o grande reformador ético acidentalmente corrompido pelas más companhias direitistas, que Heloísa e Christovam são puros idealistas infelizmente sem chances neste baixo mundo e que Alckmin é o anjo vingador do conservadorismo, pronto a soar a trombeta do juízo final para os pecadores petistas. As escolhas serão feitas dentro desse leque de opções ficcionais. Em suma, esta eleição é uma palhaçada.
Não que isso constitua inovação fulgurante. Em 2002, quando a parceria oficial do PT com os narcotraficantes das Farc e os seqüestradores do MIR completava doze anos, já reinava o mais completo silêncio a respeito, enquanto, nos debates de TV, quatro filhotes de Fidel Castro se esmeravam num torneio de pureza esquerdista, cada qual exibindo, para fazer inveja aos demais, uma folha maior de serviços prestados à revolução continental.
As eleições no tempo da ditadura eram infinitamente mais honestas e democráticas. Havia direita e esquerda, opostas e distintas. Havia diferença, confronto, debate. Havia, para dizer o mínimo, algo mais do que a disputa de cargos entre companheiros de ideologia.
Alckmin, que ostenta a suprema e única virtude do mal menor, não é propriamente esquerdista como o era José Serra. É um chuchu ideológico que aposta tudo na fama de bom administrador, sem questionar a moralidade da coisa administrada. Na KGB ou na Santa Sé, seria um burocrata exemplar. Inofensivo para os inimigos, pode tornar-se um perigo para os amigos: católico professo, baixou um decreto punindo com multa o padre, pastor ou rabino que proíba o ingresso de homens vestidos de mulheres nos cultos religiosos, nivelados assim a bailes do Scala Gay. Eleito, fará tudo para ser bom menino, politicamente corretíssimo, imune a tentações direitistas. Já começou até a falar mal dos EUA. É o adversário que o PT pediu ao demônio.
Olavo de Carvalho
quinta-feira, setembro 28, 2006
Lula, réu confesso!!!
O discurso presidencial de 2 de julho de 2005, pronunciado na celebração dos quinze anos de existência do Foro e reproduzido no site oficial do governo, http://www.info.planalto.gov .br/download/discursos/pr812a .doc, é a confissão explícita de uma conspiração contra a soberania nacional, crime infinitamente mais grave do que todos os delitos de corrupção praticados e acobertados pelo atual governo; crime que, por si, justificaria não só o impeachment como também a prisão do seu autor.
À distância em que estou, só agora tomei ciência integral desse documento singular, mas os chefes de redação dos grandes jornais e de todos os noticiários de rádio e TV do Brasil estiveram aí o tempo todo. Tendo sabido do discurso desde a data em que foi pronunciado, ainda assim continuaram em silêncio, provando que sua persistente ocultação dos fatos não foi fruto da distração ou da pura incompetência: foi cumplicidade consciente, maquiavélica, com um crime do qual esperavam obter não se sabe qual proveito.
O sentido destes parágrafos, uma vez desenterrado do lixo verbal que lhe serve de embalagem, é de uma nitidez contundente:
"Em função da existência do Foro de São Paulo, o companheiro Marco Aurélio tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990... Foi assim que nós, em janeiro de 2003, propusemos ao nosso companheiro, presidente Chávez, a criação do Grupo de Amigos para encontrar uma solução tranqüila que, graças a Deus, aconteceu na Venezuela. E só foi possível graças a uma ação política de companheiros. Não era uma ação política de um Estado com outro Estado, ou de um presidente com outro presidente. Quem está lembrado, o Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos, com muitas divergências políticas, a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela.
"Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política."
O que o sr. presidente admite nesses trechos é que:
1º. O Foro de São Paulo é uma entidade secreta ou pelo menos camuflada ("construída... para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política").
2º. Essa entidade se imiscui ativamente na política interna de várias nações latino-americanas, tomando decisões e determinando o rumo dos acontecimentos, à margem de toda fiscalização de governos, parlamentos, justiça e opinião pública.
3º. O chamado "Grupo de Amigos da Venezuela" não foi senão um braço, agência ou fachada do Foro de São Paulo (" em função da existência do Foro... foi que propusemos ao companheiro presidente Chavez ...").
4º. Depois de eleito em 2002, ele, Luís Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo que pro forma abandonava seu cargo de presidente do Foro de São Paulo, dando a impressão de que estava livre para governar o Brasil sem compromissos com alianças estrangeiras mal explicadas, continuou trabalhando clandestinamente para o Foro, ajudando, por exemplo, a produzir os resultados do plebiscito venezuelano de 15 de agosto de 2004 (" graças a essa relação foi possível construirmos a consolidação do que aconteceu na Venezuela "), sem dar a menor satisfação disso a seus eleitores.
5º. A orientação quanto a pontos vitais da política externa brasileira foi decidida pelo sr. Lula não como presidente da República em reunião com seu ministério, mas como participante e orientador de reuniões clandestinas com agentes políticos estrangeiros ("foi uma ação política de companheiros, não uma ação política de um Estado com outro Estado, ou de um presidente com outro presidente"). Acima de seus deveres de presidente ele colocou sua lealdade aos "companheiros".
O sr. presidente confessa, em suma, que submeteu o país a decisões tomadas por estrangeiros, reunidos em assembléias de uma entidade cujas ações o povo brasileiro não devia conhecer nem muito menos entender.
Não poderia ser mais patente a humilhação ativa da soberania nacional, principalmente quando se sabe que entre as entidades participantes dessas reuniões decisórias constam organizações como o MIR chileno, seqüestrador de brasileiros, e as Farc, narcoguerrilha colombiana, responsável segundo seu parceiro Fernandinho Beira-Mar pela injeção de duzentas toneladas anuais de cocaína no mercado nacional.
Nunca um presidente eleito de qualquer país civilizado mostrou um desprezo tão completo à Constituição, às leis, às instituições e ao eleitorado inteiro, ao mesmo tempo que concedia toda a confiança, toda a autoridade, a uma assembléia clandestina repleta de criminosos, para que decidisse, longe dos olhos do povo, os destinos da nação e suas relações com os vizinhos. Nunca houve, no Brasil, um traidor tão descarado, tão completo e tão cínico quanto Luís Inácio Lula da Silva.
A maior prova de que ele ludibriou conscientemente a opinião pública, mantendo-a na ignorância das operações do Foro de São Paulo, é que, às vésperas da eleição, amedrontado pelas minhas constantes denúncias a respeito dessa entidade, mandou seu "assessor para assuntos internacionais", Giancarlo Summa, acalmar os jornais por meio de uma nota oficial do PT, segundo a qual o Foro era apenas um inocente clube de debates, sem nenhuma atuação política (v. http://www.olavodecarvalho.org /semana/10192002globo.htm).
E agora ele vem vem se gabar da "ação política de companheiros", praticada com recursos do governo brasileiro às escondidas do Parlamento, da justiça e da opinião pública.
Comparado a delito tão imenso, que importância têm o Mensalão e fenômenos similares, senão enquanto meios usados para subsidiar operações parciais no conjunto da grande estratégia de transferência da soberania nacional para a autoridade secreta de estrangeiros?
Pode haver desproporção maior do que entre vulgares episódios de corrupção e esse crime supremo ao qual serviram de instrumentos?
A resposta é óbvia. Mas então por que tantos se prontificam a denunciar os meios enquanto consentem em continuar acobertando os fins?
Aqui a resposta é menos óbvia. Requer uma distinção preliminar. Os denunciantes dividem-se em dois tipos: (A) indivíduos e grupos comprometidos com o esquema do Foro de São Paulo, mas não diretamente envovidos no uso desses meios ilícitos em especial; (B) indivíduos e grupos alheios a uma coisa e à outra.
O raciocínio dos primeiros é simples: vão-se os anéis mas fiquem os dedos. Já que se tornou impossível continuar ocultando o uso dos instrumentos ilícitos, consentem em entregar às feras os seus operadores mais notórios, de modo a poder continuar praticando o mesmo crime por outros meios e outros agentes. O conteúdo e até o estilo das acusações subscritas por essas pessoas revelam sua natureza de puras artimanhas diversionistas. Quando atribuem a corrupção do PT, que vem desde 1990, a acordos com o FMI firmados a partir de 2003, mostram que sua ânsia de mentir não se inibe nem diante da impossibilidade material pura e simples. Quando lançam as culpas sobre "um grupo", escamoteando o fato de que as ramificações da estrutura criminosa se estendiam da Presidência da República até prefeituras do interior, abrangendo praticamente o partido inteiro, provam que têm tanto a esconder quanto os acusados do momento.
Mais complexas são as motivações do grupo B. Em parte, ele compõe-se de personagens sem fibra, física e moralmente covardes, que preferem ater-se ao detalhe menor por medo de enxergar as dimensões continentais do crime total. Há também o subgrupo dos intelectualmente frouxos, que apostaram na balela da "morte do comunismo" e agora se sentem obrigados, para não se desmentir, a reduzir a maior trama golpista da história da América Latina às dimensões mais manejáveis de um esquema de corrupção banal, despolitizando o sentido dos fatos e fingindo que Lula é nada mais que um Fernando Collor sem jet ski . Há os que, por oportunismo ou burrice, colaboraram demais com a ascensão do partido criminoso ao poder e agora se sentem divididos entre o impulso de se limpar do ranço das más companhias em que andaram, e o de minimizar o crime para não sentir o peso da ajuda cúmplice que lhe prestaram. Há os pseudo-espertos, que dão refrigério ao inimigo embalando-se na ilusão louca de que é mais viável derrotá-lo roendo-o pelas beiradas do que acertando-lhe um golpe mortal no coração. Há por fim os que realmente não estão entendendo nada e, com o tradicional automatismo simiesco da fala brasileira, saem apenas repetindo o que ouvem, na esperança de fazer bonito.
Peço encarecidamente a todos os inflamados acusadores anticorruptos das últimas semanas -- políticos, donos de meios de comunicação, empresários, jornalistas, intelectuais, magistrados, militares – que examinem cuidadosamente suas respectivas consciências, se é que alguma lhes resta, para saber em qual desses subgrupos se encaixam. Pois, excetuando aqueles poucos brasileiros de valor que subscreveram em tempo as denúncias contra o Foro de São Paulo, todos os demais fatalmente se encaixam em algum.
Seria absurdo imputar tão somente a Lula e ao Foro de São Paulo a culpa do apodrecimento moral brasileiro, esquecendo a contribuição que receberam desses moralistas de ocasião, tão afoitos em denunciar as partes quanto solícitos em ocultar o todo. Nada poderia ter fomentado mais o auto-engano nacional do que essa prodigiosa rede de cumplicidades e omissões nascidas de motivos diversos mas convergentes na direção do mesmo resultado: criar uma falsa impressão de investigações transparentes, uma fachada de normalidade e legalidade no instante mesmo em que, roída invisivelmente por dentro, a ordem inteira se esboroa.
A destruição da ordem e sua substituição por " um novo padrão de relação entre o Estado e a sociedade ", decidido em reuniões secretas com estrangeiros, tal foi o objetivo confesso do sr. Lula. Esse objetivo, disse ele em outra passagem do mesmo discurso, deveria ser alcançado e consolidado " de tal forma que isso possa ser duradouro, independente de quem seja o governo do país ".
O que se depreende da atitude daqueles seus críticos e acusadores é que, nesse objetivo geral, o sr. Lula já saiu vitorioso, independentemente do sucesso ou fracasso que venha a obter no restante do seu mandato. A nova ordem cujo nome é proibido declarar já está implantada, e sua autoridade é tanta que nem mesmo os inimigos mais ferozes do presidente ousam contestá-la. Todos, de um modo ou de outro, já se conformaram ao menos implicitamente em colocar o Foro de São Paulo acima da Constituição, das leis e das instituições brasileiras. Se reclamam de roubalheiras, de desvios de verbas, de mensalões e propinas, é precisamente para não ter de reclamar da transferência da soberania nacional para a assembléia continental dos "companheiros", como Hugo Chávez, Fidel Castro, os narcoguerrilheiros colombianos e os seqüestradores chilenos. É como a mulher estuprada protestar contra o estrago no seu penteado, esquecendo-se de dizer alguma coisinha, mesmo delicadamente, contra o estupro enquanto tal.
Talvez os feitos do sr. Lula e do seu maldito Foro não tenham trazido ao Brasil um dano tão vasto quanto essa inversão total das proporções, essa destruição completa do juízo moral, essa corrupção integral da consciência pública. Nunca se viu um acordo tão profundo entre acusado e acusadores para permitir que o crime, denunciado com tanto alarde nos detalhes, fosse tão bem sucedido nos objetivos de conjunto " sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem ".
Não é elogio nem auto-elogio
Em 22 de fevereiro de 2003 escrevi no Globo : "A direita fisiológica imaginou que, bajulando o dominador, ganharia tempo para recompor-se e derrotá-lo um dia. Ledo engano. Se fora do governo a esquerda já logrou reduzir os Magalhães e os Malufs ao mais humilhante servilismo, no governo não descansará enquanto não os atirar à completa impotência e marginalidade. Não dou dois anos para que cada um deles, culpado ou inocente, esteja na cadeia, no exílio ou no mais profundo esquecimento."
Magalhães foi para o museu faz mais de um ano. Maluf está na cadeia.
Em 11 de março de 2004 escrevi no Jornal da Tarde : "O partido governante não tem a menor intenção de curvar-se às exigências morais e legais das quais se serviu durante uma década para destruir reputações, afastar obstáculos, chantagear a opinião pública e conquistar a hegemonia. Denúncias e acusações não têm a mínima condição de obrigá-lo a isso, porque não há força organizada para transformá-las em armas políticas."
O STF vetou os processos de cassação de mandatos contra José Dirceu e os demais acusados petistas (até agora o único punido foi, não por coincidência, o denunciante dos crimes).
Há mais de uma década, todas as previsões que fiz sobre os rumos da política nacional se confirmaram, enquanto os mais badalados comentaristas e politólogos, da mídia e das universidades, não acertavam uma, uma sequer (breve mostruário em http://www.olavodecarvalho.org /semana/050625globo.htm).
Como se explica um contraste tão acachapante?
Quinta-feira da semana retrasada, ao receber-me na Atlas Foundation de Washington para a breve alocução que ali pronunciei (http://www.olavodecarvalho.org /palestras/palestra_atlas _set2005.htm), Alejando Chafuen, presidente da entidade, economista e filósofo de fama mundial, disse que as minhas análises estavam entre as mais valiosas realizações que ele já tinha visto no campo da ciência política. Não entendo isso como elogio, mas como o simples reconhecimento de um fato. O poder de previsão fundado na análise racional dos dados é a marca mais característica e inconfundível do saber científico. Tenho despendido uma energia considerável no empenho de compreender cientificamente a sociedade e, se o resultado é algum conhecimento efetivo, não há nisso surpresa maior do que aquela que você tem quando deixa o carro enguiçado no mecânico e no dia seguinte o carro sai funcionando. É verdade que meus trabalhos teóricos, como "Ser e Poder" e "O Método nas Ciências Humanas", que circulam como apostilas de meus cursos na PUC do Paraná, continuam inéditos em livro e não têm como ser resumidos em artigos de jornal, onde as conclusões monstruosamente compactadas da sua aplicação aos fatos do dia aparecem como se nascidas do nada. Mas já vão longe os tempos em que o editor Schmidt, pela leitura de uns relatórios de prefeito do interior de Alagoas, adivinhava um romancista oculto. Hoje a totalidade da classe falante é incapaz de suspeitar que exista alguma investigação científica por trás de uma sucessão ininterrupta de previsões certas que, de outra forma, só se explicariam por dons sobrenaturais como a sabedoria infusa de São Lulinha.
Longe da mídia brasileira
* No noticiário da passeata anti-Bush em Washington, nenhum jornal brasileiro, absolutamente nenhum, mencionou nem mesmo por alto as ligações diretas entre algumas das entidades que promoveram essa manifestação e as organizações terroristas responsáveis pela violência contínua no Iraque. Quem quiser saber algo a respeito encontrará todas as informações no site de David Horowitz, www.discoverthenetwork.org.
* Altos funcionários do governo da Lousiana estão sob investigação criminal por desvio de 60 milhões de dólares de verbas federais enviadas, muito antes do furacão Katrina, para a reforma das barragens de New Orleans. Entendem por que a obra não saiu?
* O repórter da ABC, Dean Reynolds, foi filmado em pleno vexame de tentar extorquir declarações anti-Bush de vítimas da enchente, recebendo respostas contrárias às que esperava. O mais lindo foi o diálogo com uma senhora negra:
-- A senhora não tem raiva do presidente por causa da resposta federal tardia?
-- Não, de maneira alguma. Os governos do Estado e do município é que tinham de estar a postos primeiro.
-- E não estavam?
-- Não, não estavam. Meu Deus, não estavam!
* O primeiro-ministro Tony Blair estragou a festa dos ecochatos na reunião da Clinton Global Initiative num hotel chiquérrimo de Manhattan. Ex-partidário do badalado Protocolo de Kyoto, chegou à reunião dizendo que ia falar "com honestidade brutal", e fez exatamente isso: disse que, quando o tratado expirar em 2012, país nenhum vai querer assiná-lo de novo, boicotando seu próprio crescimento econômico. O colunista James Pinkerton, da Tech Central Station , disse que em tempos normais essa declaração seria manchete em todo mundo. Agora, a grande mídia americana, mais interessada em ativismo ecológico global do que em jornalismo, preferiu ignorá-la.
* Enquanto as organizações de familiares das vítimas do terrorismo basco prometem manifestações de protesto contra a cumplicidade entre o primeiro-ministro Zapatero e a ETA, esta organização terrorista, que acaba de fazer mais um atentado (mal sucedido, felizmente), anuncia que vai prestar homenagens a Fidel Castro e Hugo Chávez durante a reunião de chefes de Estado latino-americanos em Saalamanca, 14-15 de outubro.
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 26 de setembro de 2005
Queremos a verdade!
NA 25ª HORA , só há espaço para a verdade. É o fim do tempo, o limiar da revelação, a hora da decisão.
No terreno político e das evidências, expirou o prazo para a acusação. A defesa também já se manifestou. O próprio está nas ruas, nas rádios, na TV, esbravejando, acusando seus companheiros de "aloprados" em atos de confissão explícita de culpa. A oposição também está usando todos os espaços. Houve réplicas e tréplicas. Restou, única e solitária, a questão essencial: quem, precisamente, no governo e no PT, forneceu o dinheiro para a operação suja do dossiê?
Pois é isso o que a Polícia Federal deve à nação e o que a sociedade civil exige. Queremos a verdade! Só a verdade evitará condenações injustas, mas também impedirá que culpados passem por vítimas. Só a verdade impedirá fantasias e metáforas -ninguém é Cristo nem diabo-, e só a verdade impedirá que marqueteiros inescrupulosos tentem, como começaram a experimentar, fazer de "um limão uma limonada". Só a verdade impedirá que o resultado das eleições -a mais democrática e livre da história deste país- se transforme numa querela judicial sem fim que comprometerá, inevitavelmente, a rotina das instituições.
Só a verdade inteira, completa, sem restrições mentais, dirá se o presidente da República tem culpa, como o acusamos, ou se foi traído, como ele se defende. Traído? Esse é um esclarecimento decisivo.
O eleitor vai decidir se aceita manter no Planalto, reelegendo-o, um presidente cego e surdo. Caso contrário, como Lula explicará o fato de ter sido enganado por seu guarda-costas mais próximo, por seu churrasqueiro preferido, pelo presidente do seu partido e coordenador da campanha, pelo marido da sua secretária particular, por ministros de Estado e diretores de bancos estatais, seus companheiros mais afins, que montavam uma operação criminosa no seu palácio, no dia-a-dia do expediente?
Como pregam os moralistas religiosos, só a verdade salva. Ou condena, não esqueçamos a alternativa, já que é por temer a condenação que o governo e o PT estão evitando a todo custo a apresentação dos resultados das investigações da Polícia Federal.
A verdade, porém, não é segredo de conveniência. Não se pode guardá-la por oportunismo ou escamoteá-la por tática. Escondê-la, pela lei penal, é crime, compromete quem a sonega da Justiça e não beneficia quem se aproveita dessa sonegação.
A celeridade com que o Coaf acusou inocentes -como foi vítima o caseiro Francenildo, façanha petista e do governo Lula, rastreando uma conta de menos de 30 mil reais- precisa ser usada para rastrear o R$ 1,7 milhão, principalmente quando há notas seriadas e pacotes de dinheiro com cintas bancárias.
Até o início de setembro, a cavalgada mentirosa da campanha de Lula se encaminhava para um "landslade" -avalanche, em inglês-, expressão usada pelos jornais em 7 de novembro de 1972 para qualificar a vitória esmagadora da reeleição de Nixon, que derrotou o democrata McGovern em todos os Estados, com exceção de um.
Muitos acreditavam, pelas pesquisas, que Lula poderia repetir o fenômeno no Brasil a 1º de outubro. O próprio Lula estava certo disso. Ele sabia que nunca um candidato falseou tanto a verdade, atribuindo a si mesmo avanços sociais que não promoveu, mas copiou do antecessor. Nunca um governo foi mais corrupto: nenhum partido político brasileiro aparelhou a máquina estatal tão abusivamente nem administrou com mais escândalos de corrupção.
Mas, tal como aconteceu nos EUA com Nixon, o comitê da reeleição de Lula deixou um rastro de lama. Lá, apenas depois de um ano o crime seria apurado, provocando o impeachment. Aqui, porém, se descobriu quando ainda há tempo para uma solução menos traumática. Os criminosos, operadores das operações sujas, tiveram menos cuidado, se expuseram se mais e se revelaram mais precocemente, três semanas antes das eleições. Não precisaremos de impeachment: o povo decidirá no voto.
No caso de Nixon, a verdade foi descoberta pelo rastreamento do dinheiro da sabotagem de Watergate. Aqui, não será diferente. A verdade será alcançada quando se encontrar a origem do dinheiro do dossiêgate. Queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade.
JORGE BORNHAUSEN
quarta-feira, setembro 27, 2006
Vexame internacional
Na montanha diária de informações, denúncias, investigações, ataques, defesas e declarações as mais estapafúrdias, a justificativa do ministro da Cultura, Gilberto Gil, para a popularidade do presidente Luiz Inácio da Silva - 'a corrupção é percebida como prática comum' - havia transitado discretamente nos jornais de ontem.
Agora, com as novas manifestações, segundo as quais 'corrupção não impede cidadania' e é inerente à 'dimensão humana', o ministro da Cultura entra para a galeria dos notórios defensores da imoralidade e da falta de ética. E faz isso da Suíça, para platéia mundial.
Mostra-se também alienado, pois a corrupção interdita sim o exercício da cidadania, à medida que solapa princípios e desvia verbas originalmente destinadas ao cumprimento das tarefas do Estado para com o cidadão.
Gil até agora tinha conseguido manter razoável distância dos colegas adeptos da tese de que corrupção, quando popularmente tolerada, pode até ser condenável na teoria, mas na prática é perfeitamente aceitável.
Na segunda-feira, falando de Genebra, onde representa o Brasil numa conferência sobre propriedade intelectual, o ministro da Cultura juntou-se ao grupo ao apresentar sua opinião sobre a dianteira do presidente Lula nas pesquisas.
Para Gilberto Gil, isso ocorre em função de uma percepção generalizada de que a corrupção é prática tolerada, comum. Para ele, as pessoas não relacionam as denúncias diretamente à pessoa do presidente, embora percebam que possa haver relação 'com membros de seu governo'.
Na visão do ministro, 'há uma relativização do problema' que afeta 'os princípios e o sentido da verdade e da justiça' e configura-se uma questão 'muito complexa'. Concluiu o raciocínio apontando a necessidade de uma condenação à corrupção por parte dos cidadãos 'comprometidos com o processo civilizatório e o império da lei'.
Ato contínuo, fez nova referência aos altos índices de aprovação do presidente, diz que sua permanência ou não no cargo num possível segundo mandato depende de um convite de Lula e resume seu estado de espírito: 'Estou contente com o governo.'
Contente, ainda que os escândalos 'possam estar relacionados a membros do governo'. Satisfeito o bastante para abster-se de qualquer senso crítico ao ponto de não perceber que ao longo de toda a sua argumentação em nenhum momento rebateu as suspeitas que pesam sobre o presidente, amigos e assessores, nem afirmou sua crença na lisura moral do chefe da Nação, cuja equipe integra.
Por essa ótica, o importante não são as convicções nem os atos das pessoas, mas a forma como são percebidas suas atitudes. Se as malfeitorias são toleradas pela maioria e praticadas à larga sem o caráter de 'particularidades do momento' (palavras do ministro), um cidadão com a responsabilidade cultural e social de Gilberto Gil constata a 'relativização' geral do 'problema', passa ao largo da essência do assunto em pauta e tira o corpo fora, invocando associação ao 'processo civilizatório' que, para todos os efeitos, o deixaria na condição de mero espectador dos acontecimentos.
Como suas declarações não repercutiram negativamente num primeiro momento, o ministro ontem sentiu-se seguro para avançar. Ironizou as razões da popularidade de Lula - 'um mistério da vida' - e atribuiu à corrupção o status de 'fenômeno universal'.
Ficou assim patenteada a imagem do Brasil na palavra de um jornalista suíço ao colega brasileiro: 'Impressionante.'
É realmente de boquiabrir o mais cínico dos semblantes.
Os artistas e intelectuais que, como Gilberto Gil e outros já notórios, confundem suas posições políticas, perfeitamente defensáveis, de apoio ao governo, com a necessidade de justificar a deformação da moralidade para não abrir a guarda ao adversário eleitoral esquecem-se de que governos passam e o País permanece.
Amanhã ou depois, quando partidos com os quais não se identifiquem assumirem o poder, ver-se-ão prisioneiros do silêncio, da aceitação da continuidade das 'práticas comuns' ou da incoerência de condenar, nos outros, o que consideravam natural para os seus.
Dora Kramer
sexta-feira, setembro 22, 2006
Como se faz uma quadrilha
Completou: "Alcançar o poder se converte no mais importante, e, para isso, as pessoas estão dispostas a fazer concessões éticas. Em outras palavras, se desejo estar no poder, necessito dinheiro, e, se não posso conseguir os fundos legalmente, então o farei ilegalmente".
Outro "lulista", aliás o novo coordenador de campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, por sua vez, queixou-se, no mesmo livro, de que trabalhou de graça como secretário de Relações Internacionais do PT durante dez anos, ao passo que "um membro de uma tendência de esquerda [do PT] ganhava R$ 7,2 mil por mês", mais do que Garcia como assessor para assuntos internacionais de Lula.
São essas "boquinhas" que fazem compradores de dossiê ou praticantes de outras delinqüências. Freud Godoy, mero segurança, usou o PT (e o governo Lula) como meio de alpinismo social, a ponto de morar em um apartamento de R$ 500 mil. Valdebran Carlos Padilha da Silva, por sua vez, mora em um condomínio de luxo em Cuiabá. José Lorenzetti, enfermeiro, virou diretor de banco federal.
Para manter as "boquinhas", é lógico que fariam de tudo. Assim como as pessoas que assessoram, todas com cargos eletivos. Para manter o poder, fazem o diabo, contando com o acobertamento do chefe, que, mesmo quando os demite, acaricia-os depois. Foi essa cultura que gerou a "quadrilha" antigamente chamada de Partido dos Trabalhadores.
CLÓVIS ROSSI
quarta-feira, setembro 20, 2006
Lula, Freud e Espinoza
Da filósofa Marilena Chaui (a espinoziana) ao psicanalista Renato Mezan (o freudiano), era fácil citar quem poderia dar alguma idéia que arejasse o governo.
O freudiano Mezan, no Planalto, poderia ter lembrado Lula de que quem está constantemente comparando-se com o outro não está seguro de si e sofre do complexo edipiano de voltar-se contra o pai, contra aquele que representa o predecessor.
No poder, Chaui poderia ter lembrado a Lula que "Ética" é a principal obra de Espinoza. Nela, jamais fala em "pecado e em dever", mas, sim, "em fraqueza e em força para ser, pensar e agir". Chaui ajudaria Lula, por meio de Espinoza, até a explicar por que, eleito sob o lema da mudança, tudo continua como sempre esteve. "Uma mudança, que é uma paixão, deixa de ser paixão no momento em que dela formamos uma idéia clara e distinta." Talvez Chaui deixasse de lado uma outra frase do filósofo: "O tirano precisa das almas tristes para triunfar, tal como as almas tristes precisam de um tirano para se acolherem e propagarem".
Mas o PT ganhou a eleição e quem galgou o poder foram Freud Godoy e José Carlos Espinoza -seguranças, amigos, dupla de faz-tudo com cargo no Planalto. Lula escolheu como "assessores especiais" o Freud e o Espinoza errados. Se tivesse nomeado Baruch e Sigmund, eles também se moveriam nas sombras, mas seriam fantasmas menos assustadores.
Plínio Fraga
Freud, Lombroso e Jung no Torto!
Não por ser extraordinariamente feio ou pelo fato de ser um homem alto, forte e espadaúdo, como convém a quem ganha o sustento como segurança, o que exige mais força muscular que um cérebro bem dotado para assegurar a vida do chefe - no caso, não um superior qualquer, que seja apenas dele, mas de um governo inteiro ou, como se designa institucionalmente no Estado de Direito, de toda a Nação. Se confirmada sua participação no grotesco caso da confecção de um dossiê falso para incriminar o adversário do PT favorito ao governo de São Paulo, José Serra, o Freud do Torto (assim dito por ser convidado aos churrascos com que o líder máximo homenageia amigos e aliados) será mais um lombrosiano da mente, da alma, que da configuração dos ossos da própria fácies. E, ainda que não seja o autor intelectual do delito, conforme garantiram à polícia o petista de carteirinha Valdebran Carlos da Silva Padilha e o advogado e ex-agente da Polícia Federal Gedimar Pereira Passos, pilhados com R$ 1,75 milhão em notas de real e dólar para pagar pelo tal dossiê, que lhes seria entregue por Paulo Roberto Trevisan, tio de Luiz Antônio Vedoin, o chefão da máfia das sanguessugas, sua mera condição de elo entre tais criminosos e o presidente da República já bastaria para configurar um escândalo de proporções consideráveis.
As dimensões deste escândalo não se medem pela denúncia dos petistas presos com a boca na botija, mas pelo que o Freud sem divã falou, além de onde e como o fez. Primeiro, ele contou que foi apresentado ao tal Gedimar ('funcionário da Direção Nacional do PT e responsável pela segurança do comitê de Lula') por Jorge Lorenzetti, amigo e 'churrasqueiro' do presidente na Granja do Torto. E, depois, disse que, antes de viajar para discursar nas Nações Unidas, o chefão lhe telefonou para questionar sua eventual participação no episódio. 'Se o problema do senhor de governar e de campanha for isso, pode dormir tranqüilo', teria respondido.
Ou seja, nunca antes, para usar a expressão favorita de 'nosso guia máximo', alguém tão próximo de um presidente da República reconheceu de público se haver aproximado tanto do protagonista de uma falcatrua tão sórdida e tão estúpida quanto essa confecção de um dossiê para incriminar um adversário. E, ainda assim, ele acha que o chefe não terá por que se preocupar. Trata-se do fenômeno petista da absoluta ausência de culpa. Freud, o austríaco, revolucionou a psiquiatria encontrando no desejo libidinoso do filho pela mãe (o complexo de Édipo) a origem da culpa que a tradição judaico-cristã atribui ao pecado original. Jung, o primeiro a ousar desafiá-lo, extrapolou as fronteiras do pansexualismo transferindo para qualquer desejo, não apenas o sexual, as raízes desse mecanismo psíquico. Os petistas, fundadores do lombrosianismo moral, decretam que não terá havido crime se seu autor nunca admitir a culpa. 'Se não me sinto culpado pelo crime que cometi, não cometi crime algum' - eis uma tradução livre de tudo quanto disse nosso Freud do Torto.
O presidente Lula poderia ter cobrado do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, um relatório detalhado e urgente sobre a participação de seu Gregório Fortunato particular no caso - que ele próprio condenara, seguindo as normas da boa convivência em disputas eleitorais. A Polícia Federal, por este comandada, contudo, se tem mostrado particularmente lerda quando convocada a investigar suspeitos do peito (ou de perto) do líder supremo: até hoje não produziu um relatório decente sobre o achaque de Waldomiro Diniz, ex-companheiro de quarto de José Dirceu. E, ao contrário do que faz de hábito, quando convoca a imprensa para anunciar alguma operação contra quadrilhas do colarinho branco, desta vez poupou os companheiros petistas flagrados da exposição imediata às indiscretas câmeras dos jornais e da televisão. Fiel ao hábito de sempre confiar mais na palavra de um amigo e em pesquisas de opinião que em diligências policiais, Sua Excelência voou para Nova York sem temer seja pelo mandato que ainda não cumpriu, seja pelo próximo, que vai disputar nas urnas mês que vem.
E aqui, infelizmente, resta o pior dessa moral mafiosa, na qual a garantia do assessor de fé vale mais que o inquérito impessoal de um policial: o sono de Sua Excelência não deve ter sido perturbado por essa 'falha' de um companheiro de caminhadas. Por muito menos que isso, Watergate detonou Richard Nixon. Mas este país é outro e entre nós vige o costume de que a proximidade do poder não obriga ninguém a andar na linha, mas lhe garante o direito a gozar do benefício de que o afastamento da boquinha é punição bastante para remir qualquer 'engano' e livrar o chefe de todo o mal.
José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde
terça-feira, setembro 19, 2006
Heróis do maoísmo internacional!
Há, no entanto, alguns fatos que são certezas incontestáveis. Primeiro: na época dos crimes alegados, vocês dirigiam a gráfica do PC do B, o Partido Comunista do Brasil. Segundo: o PC do B era o partido maoísta, encarregado de legitimar, enaltecer e, se possível, expandir pelo mundo o regime mais assassino, genocida e torturador que já existiu na história humana, responsável pela morte de pelo menos 60 milhões de pessoas, o triplo do que Stalin matou na URSS ou Hitler na Alemanha. Terceiro: as torturas praticadas no Laogai – a rede de presídios políticos chineses – não consistiam apenas em choques elétricos e queimaduras com pontas de cigarros, como aquelas que vocês alegam ter padecido. Incluíam e incluem espancamentos e mutilações variadas (de mãos, braços, pés, orelhas e narizes), além de um vasto repertório de agressões psicológicas calculadas por engenheiros comportamentais para quebrar a última resistência dos mais valentes e obstinados. O quarto fato é o mais bonito de todos: as pessoas que foram submetidas a esse tratamento hediondo nem sempre o foram sob a suspeita de promover, como vocês, a violência armada a soldo de um regime inimigo. Eram acusadas de ler bíblias, de ter uma cabra escondida para dar leite a seus filhos, de comer porções de arroz além do permitido pelo governo.
Vocês ajudaram a embelezar a imagem do regime que fez essas coisas, e jamais deram o mínimo sinal de arrependimento. É absolutamente ridículo pretender que vocês sejam contra a tortura. Vocês só não gostam de sofrê-la, é claro. Mas nunca acharam ruim que os chineses a praticassem em escala superior a tudo o que a imaginação macabra de ficcionistas doentes pudesse ter inventado nos séculos anteriores. Mesmo que o coronel Ustra ou qualquer outro houvesse feito o que vocês dizem que fez, ainda seria bastante inofensivo se comparado aos comunistas chineses a cujo serviço vocês estavam na ocasião.
Moralmente, vocês -- ou qualquer outro militante do PC do B que antes de acusar os crimes da ditadura brasileira não confesse os seus próprios -- estão abaixo de delinqüentes comuns, que com freqüencia se envergonham do que fazem ou pelo menos não insistem em ser premiados por isso.
Talvez vocês tenham direito à sentença declaratória que exigem, ou até a indenizações. Mas não têm direito a nenhuma piedade, consideração ou respeito. Se ganharem o processo, peguem logo seu atestado de vítimas, seus diplomas de heróis do maoísmo internacional, e vão para casa rir, com o proverbial cinismo comunista, da ordem jurídica burguesa que uma vez mais terá servido de instrumento para a sua própria destruição.
Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 14 de setembro de 2006
No gabinete presidencial
O episódio agora é diferente daquele em que um assessor direto da Casa Civil (Waldomiro Diniz) foi flagrado em ato de extorsão porque ainda falta a prova da participação do assessor no crime e a própria ilegalidade ainda carece de esclarecimento mais preciso.
Por ora, a gravidade reside na suspeita de o partido do governo ter armado uma trama de dossiês, no fato de não ser a primeira vez que o PT protagoniza episódios infratores e na hipótese de que haja mais gente próxima ao presidente da República credenciada a integrar a organização criminosa já denunciada pelo procurador-geral da República e alvo de processo no Supremo Tribunal Federal.
A despeito do histórico pouco recomendável, todo cuidado é muito pouco, inclusive para não inocentar a priori, só por conta do atropelo, quem porventura venha mesmo a ter culpa nesse escabroso cartório de produção de dossiês que há uns bons anos entrou no cenário da luta política e tem na imprensa um parceiro nem sempre movido por intenções jornalísticas.
Recapitulando: dois homens presos com R$ 1,75 milhão em moeda sonante dizem à polícia que usariam o dinheiro para comprar um dossiê de denúncias mostrando o envolvimento do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde José Serra, com a máfia das ambulâncias.
O dossiê, segundo eles, seria vendido pela família Vedoin - cabeça da máfia -, e o dinheiro da compra viria de duas fontes: o PT e um veículo de comunicação (não disseram qual), ambos interessados na publicação do material. Os dois homens informam que haviam sido encarregados de 'avaliar' os documentos e apontam um indivíduo de nome 'Freud' ou 'Froude' como o operador da tarefa.
Repórteres do Estado cruzam informações, confirmam dados, checam CPFs e descobrem que existe um Freud Godoy lotado do gabinete do secretário particular do presidente da República, dono de uma empresa de segurança, como haviam dito os detidos. Ato contínuo, Freud pede licença, alegando inocência. Afirma que se afasta para não prejudicar o presidente e facilitar as investigações. Confirma ter encontrado quatro vezes com um dos homens presos pela Polícia Federal.
Três dias antes, quando a notícia do dossiê ainda não havia assumido o caráter de armação, era apenas a acusação contra o partido adversário do presidente, no governo houve dois tipos de reação: o presidente Luiz Inácio da Silva, em geral refratário a explicações públicas, chama a imprensa para repudiar o dossiê e o escalão inferior, na figura do controlador-geral da União, confere crédito às acusações.
Jorge Hage aponta a existência de 'documentos' - não diz quais nem onde estão - que sustentam as denúncias. O controlador vai além e, como que a acentuar o quadro para que se entenda bem o espírito da coisa, diz que José Serra e Humberto Costa, ex-ministro da Saúde já indiciado em inquérito da PF, estão na mesma situação.
Enquanto isso, a Polícia Federal prende com o espalhafato (no bom sentido, até) habitual os que puseram à venda o dossiê, mas age muito discretamente em relação à prisão dos intermediários da compra do documento. Nada de fotos dos personagens ou do dinheiro. Argumenta-se que a praxe é essa, o que a prática das celebradas operações da PF desmente.
O cenário ainda é confuso e as informações incipientes para se concluir qualquer coisa, mesmo em face só das aparências.
Mas há coincidências demais em relação a episódios recentes (dinheiro de origem não explicada, ação de órgãos oficiais, movimentação de petistas pelo perigoso terreno da ilegalidade, justificativas antecipadas e comparações ensaiadas - como a do ministro Tarso Genro a dizer que o dossiê e as denúncias do mensalão são a mesma coisa, tudo fruto do 'denuncismo'), há ainda muito mais além de aviões de carreira no ar para que se possa ter certeza de que o governo brasileiro desta vez, por ação ou omissão, nada tem a ver com o uso de métodos espúrios na luta em defesa da preservação do poder.
Dora Kramer
Pega ladrão!
Imaginando que o jogo tinha acabado, Lula e o PT resolveram tripudiar e realizar uma intervenção criminosa na eleição
SURPREENDIDO, o ladrão antecipa-se ao alarme e grita: "Ladrão!Pega ladrão!".
Mistura-se aos seus próprios perseguidores e se livra da polícia. (Ou então, numa variável da cena, usada como cortina cômica dos picadeiros de circo de antigamente, o ator que faz o papel do descuidista ou do sedutor apanhado em flagrante de adultério grita "Fogo! Fogo!", e aproveita a confusão pra fugir.)
As cenas do repertório da velha malandragem, antes que a violência e o narcotráfico lhes retirassem qualquer possibilidade de riso, estão sendo revividas grotescamente na atual campanha eleitoral. Especialmente no caso da chantagem montada pelo PT contra Alckmin e Serra, a quem Lula, com a maior cara-de-pau, hipotecou solidariedade de crocodilo.
É espantoso ver na TV Lula e o PT gritando, indignados: "Baixaria! Baixaria!", quando estão mergulhados até a cabeça no golpe. Assim como foi em outros escândalos: mensaleiros, vampiros, sanguessugas, valerioduto, operação tapa-buracos, "bingueiros", pagamentos do marqueteiro Duda com dólares sem declaração de origem e cartilhas eleitorais de R$ 11 milhões pagas com dinheiro público e distribuídas pelo PT, e tantos outros casos que já perderam o benefício de serem considerados denúncias para se transformarem em inquéritos apurados e votados por comissões parlamentares e pelo TCU.
Tal como aconteceu no último fim de semana, quando Lula apareceu protestando inocência e declarando repulsa à tentativa de chantagem envolvendo a considerável quantia de R$ 1,7 milhão contra Alckmin e Serra.
O grave é que a PF já sabia, àquela hora, que a trama era conduzida pelo Palácio do Planalto, por um assessor especial da Secretaria Particular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tal como Waldomiro Diniz -que traficava com bicheiros e era subchefe da Casa Civil, do ex-ministro José Dirceu, e gerou a CPI dos Correios e a revelação dos mensaleiros-, Freud Godoy, personagem-chave do novo episódio da compra de um dossiê contra Geraldo Alckmin e o ex-ministro José Serra, trabalha com o também notório Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula.
Gilberto é personagem do escabroso episódio do assassinato de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André. Criou-se uma situação sem saída para Lula, pois o próprio Freud Godoy, acusado pelo operador da chantagem, apanhado com o dinheiro, confessou implicitamente ao anunciar que estava pedindo demissão do seu cargo no Palácio do Planalto e, como Waldomiro, será exonerado "a pedido" -com agradecimentos pelos bons serviços, como Lula faz com todos os corruptos que é obrigado a demitir.
O cinismo da impunidade ganha requintes nas mãos de marqueteiros inescrupulosos. Mas, como todo golpe, há o momento em que a mentira se confronta diretamente com a verdade e, aí, a impostura se desfaz. Tudo indica que houve uma precipitação. Deram um passo em falso. Imaginando que o jogo tinha acabado -na minha opinião, não acabou, pois haverá segundo turno, e, aí, a questão "corrupção de Lula" versus "ética de Alckmin" será julgada-, Lula e o PT resolveram tripudiar e realizar uma intervenção criminosa na eleição.
O crime perfeito consistia em desestabilizar Serra e, ao mesmo tempo, dar oportunidade a Lula para fazer declarações de repúdio àquela chantagem, como efetivamente fez. Com isso, teria o pretexto para protestar contra o uso de acusações -para ele, "baixarias"-, relembrando os casos de corrupção no seu governo, único perigo temido por seus marqueteiros.
Ao se jactarem de "com o limão fizemos uma limonada", ou seja, com os protestos da oposição pela chantagem, ainda conseguiriam que Lula ampliasse sua própria blindagem contra ataques. Os petistas achavam que a questão estaria liquidada. Gritavam, mais que as vítimas: "Pega ladrão!" (no caso, Lula declarou, indignado: "Fora as baixarias contra candidatos!"), e, além de criarem um clima para que os chantagistas se safassem, ainda melhoravam a posição na campanha eleitoral.
Dito isso, encenada a farsa da inocência compungida, continuariam com o realejo da impostura das falsas obras sociais, fazendo esquecer a tunda que a Petrobras está levando de Chávez e Evo Morales, banqueteando-se com banqueiros uma vez por semana e batendo recordes de presença de mensaleiros e sanguessugas em seus comícios.
O azar é que a PF botou tudo a perder. Prendeu os chantagistas, e um deles confessou seu ninho: a Secretaria Particular do próprio Lula. Não deu para chegar impune a 1º de outubro.
JORGE BORNHAUSEN, 68, senador pelo PFL-SC, é o presidente nacional do partido.
sexta-feira, setembro 15, 2006
Petrobras: subjugada no altiplano
A verdade seja dita: desde que tropas do exército invadiram em maio último os campos de produção da Petrobras naquele país, vem se configurando um mosaico no qual o "mar não está para peixe" com relação aos investimentos da estatal brasileira, colocando igualmente em risco os interesses das outras empresas petrolíferas que operam na Bolívia: Repsol YPF (Espanha e Argentina), British Gas e British Petroleum (Reino Unido), Total (França), Dong Wong (Coréia) e Canadian Energy. Considerando que a República da Bolívia não possui saída para o mar, o cenário é rigorosamente o mais inóspito para os negócios de refinação.
Na semana que passou, o tiro de misericórdia foi disparado. A partir da edição da famigerada Resolução Ministerial 207/2006, aconteceu o que já havíamos previsto da tribuna do Senado: o rebaixamento sumário das duas refinarias da Petrobras a meras prestadoras de serviço. Recordo-me que, à época do nosso alerta baseado em análises recorrentes de especialistas na matéria, fomos contraditados por integrantes da base governista com o enunciado retórico inspirado numa espécie de fábula das "llamas encantadas".
A reação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o cancelamento da viagem do ministro de Minas e Energia que, juntamente com o presidente da Petrobras, iria a La Paz para retomar as negociações sobre os preços do gás, paralisadas há dois meses.
A perplexidade externada pelo presidente da República com a última estripulia do seu colega Evo Morales é um arroubo de patriotismo tardio e sem qualquer compromisso com a coerência. Afinal, a política externa do presidente Lula foi norteada por exacerbada condescendência no trato da questão estratégica com o vizinho que ignora contratos celebrados entre Estados e tripudia com as regras do direito internacional.
Os termos da nota de protesto emitida pela Petrobras são corretos, mas totalmente extemporâneos. Agora é muito tarde para questionar as novas condições impostas à produção, transporte, armazenagem e comercialização do petróleo e do GLP, bem como das etapas da cadeia de preços dos derivados de petróleo. A discordância imediata, levando-se em conta os pontos de vista legal, operacional e financeiro, foi invariavelmente substituída por declarações presidenciais que enfatizavam a necessidade de ajudar a Bolívia por ser uma nação pobre, e ressaltavam ainda se tratar de um país "soberano" para tomar decisões e que tinha o direito de cobrar o "preço justo pelo gás".
É no mínimo curioso que só agora, em pleno período eleitoral, o governo esboce reação enérgica e venha a público falar em "reação firme" diante das medidas adotadas unilateralmente por Evo Morales. As recentes medidas arbitrárias do atual ocupante do Palácio Quemado não constituem novidade alguma. As ações enfeixadas pelo mandatário boliviano foram tradicionalmente pautadas pelo desrespeito flagrante às regras legais estabelecidas e pactuadas.
O alto comando do governo, agora mobilizado para encontrar uma saída para o último impasse no altiplano, não pode alegar desconhecimento dos números e cifras envolvidas. A Petrobras já investiu aproximadamente US$ 1,5 bilhão naquele país, sem falar nos US$ 2 bilhões empregados para a construção do gasoduto para o Brasil. Na condição de maior empresa na Bolívia ela responde por 15% do PIB do país.
Esperamos uma saída honrosa para a Petrobras, sem qualquer tentativa vã de encobrir os equívocos da gestão Lula na condução das tratativas com o governo boliviano.
Senador Alvaro Dias
quinta-feira, setembro 14, 2006
Rodízio de santidades!
"A construção do sistema nacional de roubalheira petista não começou em 2003, nem é um desvio acidental da linha partidária. Vem do início dos anos 90. É parte integrante da estratégia de conquista progressiva do poder total, que passa pela destruição sistemática da ordem pública e pela parceria ignóbil entre partidos esquerdistas e organizações criminosas no Foro de São Paulo. Não há um só dirigente do PT ou de qualquer outro partido de esquerda que não saiba disso, nem jornalista que o ignore. Por isso mesmo conseguiram escondê-lo tão bem.
Agora que se tornou difícil continuar negando as patifarias mais espetaculares usadas para implementar o grande engodo, só resta aos mentores esquerdistas fazer aquilo que previ em março de 2004: “Se o PT cair em total descrédito..., entrará em ação o Plano B: suicidar o governo alegando que falhou porque estava muito ‘à direita’ -- e aproveitar-se da oportunidade para acelerar a transformação revolucionária do país, ... transferindo a militância (petista) para outra e mais agressiva organização de esquerda.” (Cf. http://www.olavodecarvalho.org/semana/040311jt.htm.)
O manifesto (publicado na Folha de terça-feira) no qual 250 picaretas acadêmicos internacionais, lulistas históricos, saem repentinamente acusando o governo Lula de “neoliberal” e pedindo votos para a Sra. Heloísa Helena, já é o plano B em ação.
Retroativamente, o padroeiro da esquerda é jogado para a direita junto com suas culpas, a data dos delitos é transferida para 2002 e doze anos de conspiração criminosa desaparecem numa nuvem de enxofre, de trás da qual emerge puro e santo o novo objeto de devoção, veraz e autêntico como uma virgem celeste de desfile carnavalesco, esmagando sob os seus mimosos pezinhos a serpente do capitalismo malvado e ladrão.
Limpar-se na sua própria sujeira é a tática mais velha e persistente do repertório esquerdista. Não há limites para a mendacidade, a malícia, a perversidade e o grotesco da mente revolucionária. Seu único deus é o Poder, sua única moral é a da vitória a todo preço. O resto é jogo dialético para estontear o adversário.
Continuem confiando nessa gente e ela lhes roubará tudo, a liberdade, a bolsa, a vida e o último resíduo de dignidade, como roubou no Leste Europeu e em Cuba. E, se vocês acham que existe algum esquerdista mais honesto que o outro, não estão de todo errados: o antecessor é quase sempre um pouco menos canalha do que o sucessor.
sábado, setembro 09, 2006
O médico demente
No fundo, instalaram um posto gratuito de assistência médica, a cargo de um médico requisitado do Samdu (Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência). O povo ia lá buscar saúde, deixava voto.
Uma tarde, reúne-se a executiva nacional do PTB, para resolver uma crise de Minas. O deputado José Raimundo estava brigando com o suplente Machado Sobrinho, por causa da política municipal de Itabirito. E eram ambos dirigentes estaduais do partido. José Raimundo fez longa exposição, sentou-se. Machado Sobrinho começou a sua. De repente, emocionado, irritado, empalidece, dá um gemido, cai. Era o enfarte.
Doutel
Chamaram às pressas o médico do posto. O homem veio lá do fundo de bata branca, todo desconfiado, ajoelhou-se, pôs a mão no peito de Machado Sobrinho, conferiu o pulso, levantou a cabeça, os olhos arregalados:
- Chama um médico que esse puto vai morrer.
Jango ficou desesperado:
- Mas o senhor não é médico?
- Sou, sim, mas não entendo de enfarte. Chamem correndo um médico, porque esse puto vai morrer.Machado Sobrinho morreu mesmo. Doutel ficou indignado.Exigiu de Jango a demissão do médico:
- Este homem não pode exercer a medicina.
Jango sentou-se, espichou a perna direita:
- Doutel, em que posto do Samdu ele era lotado?
- Em Irajá, lá no subúrbio.
- Que coisa! Matando a nossa gente. Vamos transferi-lo para Copacabana. Se ele tem que matar, então que vá matando o eleitorado da UDN, do Lacerda. O nosso, não.
E mandou transferir o médico. O médico que não entendia de enfarte viveu mais vinte anos, até bem depois do golpe de 64. Matando e enterrando, em Copacabana, os eleitores da UDN e da Arena.
Lula
Lula é o médico demente do posto do PT. É o mais alucinado alienado que já passou pelo governo, no Brasil. Para ele, "está tudo ótimo, o País vai indo muito bem, em toda a nossa história nunca esteve tão bem" (sic), porque acha que, quanto mais a economia estiver ruim, mais dinheiro-esmola ele vai doar, mais Bolsas-Família vai distribuir e mais os votos dele estarão seguros.
Nem "O Globo" conseguiu esconder, em manchete: "PIB do País crescerá menos". Também a "Folha" deu anteontem, quinta-feira: "Ipea reduz a projeção do PIB para 3,3%".
Ipea, como vocês sabem, é o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do Ministério do Planejamento, logo do governo. E PIB é Produto Interno Bruto, a economia do País. No ano passado, cresceu 2,3%, um desastre. Lula, o Banco Central do bostônico Meirelles e o Ministério da Fazenda anunciaram para este ano "o espetáculo do crescimento": 6%. Depois, baixaram para 4%. Está em 3,3%. Vai acabar em 3%, ou menos.
Sebastião Nery - sebastiaonery@ig.com.br