segunda-feira, julho 24, 2006

1.300 dias de indignação

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Os 1.300 dias de corrupção, roubo, ineficiência e mentira não vão para debaixo do tapete. Serão decisivos para derrotar Lula
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O REGISTRO dos 1.300 dias de corrupção e incompetência do governo Lula, que passam hoje, 24 de julho de 2006, permite várias atitudes.
Há a alternativa do proselitismo eleitoral, aproveitando a lembrança de que, em 68 dias, nas eleições de 1º de outubro, poderemos estancar a corrupção que nos agride. Se confiarmos que não haverá reeleição, como prevêem os analistas, podemos iniciar a contagem regressiva dos 159 dias que faltam para a posse do novo presidente da República.
São manifestações de otimismo razoáveis, mas prefiro não baixar a guarda e manter a coerência do bom combate a que nos dedicamos com seriedade e firmeza.
Quando Lula foi legitimamente eleito presidente da República em 2002, o povo brasileiro mandou-nos para a oposição. Aos vencedores, o poder; aos perdedores, a vigilância.
O jogo democrático não permite escamoteações, embora a tentação de fraudá-lo não poupe nem os que chegam ao poder. Foi o que aconteceu com o próprio Lula e o PT, que, achando pouco suas prerrogativas constitucionais, partiram para cooptar covarde e desonestamente parlamentares da oposição ao preço do abominável mensalão.
Assim formaram a sua "base governista", interminável e insaciável como toda chantagem.
Embora tenhamos assumido a oposição no dia seguinte às eleições, ainda em outubro de 2002, seguindo passo-a-passo esses 1.300 dias do governo Lula, ficamos estupefatos ao alinhar fatos e números que expressam uma das mais vis traições já sofridas por um povo.
Juraram que fariam mudanças e reformas e induziram os eleitores a imaginar que o país mudaria, adotando novos padrões, pois tudo estava errado e injusto. Mal atingiram o poder, porém, fizeram o contrário. A começar pelo próprio Lula. Nunca um presidente da República e sua família gastaram tanto com mordomias e confortos pessoais, abusos de que se tornou ícone o Aerolula, extravagância de novo rico. Sem falar na ética, a mais desfraldada bandeira de Lula em 2002, desprezada no dia seguinte à posse, quando se instalou no Palácio do Planalto a máquina de corrupção, suborno, intermediação a grosso e a varejo.
Inicialmente velada, tornou-se pública quando, em fevereiro de 2004, descobriu-se a biografia e as ações do sub-chefe da Casa Civil, esse patético e até hoje impune Waldomiro Diniz, fio da meada para a grande revelação de que o governo se sustentava politicamente pela distribuição de dinheiro público, desviado em operações financeiras escabrosas para alimentar os subornos do mensalão.
Tudo envolvido por uma camada de propaganda -são quase R$ 3 milhões por dia de anúncios para desviar a indignação do povo e distraí-lo com programas sociais, como o Bolsa-Família, marca de fantasia da Bolsa Escola e Vale Gás do governo anterior, apenas recauchutados e cinicamente exibidos como "obra do Lula".
Quanta audácia! Mesmo assim, os 1.300 dias de corrupção, roubo, ineficiência e mentira não vão para debaixo do tapete. Serão decisivos para derrotar Lula.
JORGE BORNHAUSEN